𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄 ✗ 𝖯𝖺𝖻𝗅𝗈 𝖦𝖺𝗏𝗂 - 68. - Wattpad
𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄 ✗ 𝖯𝖺𝖻𝗅𝗈 𝖦𝖺𝗏𝗂
Índice
- 𝗟𝗢𝗩𝗘 𝗚𝗔𝗠𝗘
- 01.
- 02.
- 03.
- 04.
- 05.
- 06.
- 07.
- 08.
- 09.
- 10.
- 11.
- 12.
- 13.
- 14.
- 15.
- 16.
- 17.
- 18.
- 19.
- 20.
- 21.
- 22.
- 23.
- 24.
- 25.
- 26.
- 27.
- 28.
- 29.
- 30.
- 31.
- 32.
- 33.
- 34.
- 35.
- 36.
- 37.
- 38.
- 39.
- 40.
- 41.
- 42.
- 43.
- 44.
- 45.
- 46.
- 47.
- 48.
- 49.
- 50.
- 51.
- 52.
- 53.
- 54.
- 55.
- 56.
- 57.
- 58.
- 59.
- 60.
- 61.
- 62.
- 63.
- 64.
- 65.
- 66.
- 67.
- 68.
- 69.
- 70.
- 71.
- 72.
- 73.
- Epílogo
- agradecimentos
𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄 ✗ 𝖯𝖺𝖻𝗅𝗈 𝖦𝖺𝗏𝗂
𝗘 𝗦𝗘 seu o sonho de sua infância de fazer faculdade na Espanha conseguisse te trazer um caos completo em sua vida? Jasmin entendia completamente isso. 𝗝𝗔𝗦𝗠𝗜𝗡 𝗩𝗔𝗦𝗖𝗢𝗡𝗖𝗘𝗟𝗟𝗢𝗦, uma jovem no auge dos seus dezenove anos, que tinha um s...
PABLO, ponto de vista Outubro, 2025
Tudo parecia muito irreal. Era como se eu não conseguisse acreditar que aquilo estava acontecendo de verdade, como se fosse um sonho ruim do qual eu acordaria a qualquer momento, e então tudo estaria bem. Eu veria a Aurora, abraçaria ela forte, e nada disso teria passado de um susto.
Eu estava sentado havia tanto tempo que já nem lembrava quando tinha parado de andar de um lado para o outro. Encarava a parede branca daquele corredor de espera, que parecia infinito, como se eu fosse ficar ali para sempre. O tempo passava devagar demais. E a ausência de notícias só tornava tudo mais angustiante. Mesmo assim, eu me recusava a pensar em qualquer coisa ruim. Porque ela ia ficar bem. Ela estava bem.
Senti uma mão pousar no meu ombro, fazendo um carinho leve. Eu nem precisei olhar para saber que era minha mãe.
— Pablo, meu amor… você precisa pelo menos beber um pouco de água. Você tá assim há horas — ela disse, com a voz cansada.
Suspirei fundo e virei um pouco o rosto para encará-la. Os olhos inchados denunciavam que ela tinha chorado, e aquilo me doeu mais do que eu esperava. Era o lembrete mais cruel de que aquilo não era um sonho.
— Eu não quero, mãe. Eu tô bem — menti, com a voz fraca.
Ela balançou a cabeça devagar.
— Filho, não adianta você ficar desse jeito. Isso não vai fazer as notícias chegarem mais rápido — falou com cuidado, passando a mão pelo meu rosto.
Engoli em seco.
— É que… é angustiante, sabe? Não saber como a minha irmã tá… — minha voz falhou por um segundo.
Minha mãe apertou um pouco mais o meu ombro, se aproximando.
— Eu sei. Mas a Aurora é forte. Sempre foi — disse, tentando me acalmar. — Ela vai sair dessa.
Fechei os olhos por um instante, respirando fundo, me agarrando àquelas palavras como se fossem a única coisa sólida ali.
— Ela prometeu que nunca ia me deixar — murmurei.
— E não vai — minha mãe respondeu, com firmeza. — Vocês sempre cuidaram um do outro.
Ela ia ficar bem. Tinha que ficar.
O som de passos se aproximando me fez abrir os olhos na mesma hora. Um médico parou à nossa frente, expressão séria demais para trazer boas notícias. Meu corpo inteiro ficou em alerta, rígido, como se eu já soubesse, mas me recusasse a aceitar.
— Família do Javi Begines e da Aurora Páez? — ele perguntou.
Assenti, sentindo minha garganta fechar. Minha mãe apertou minha mão, e só então percebi o quanto eu estava tremendo.
O médico respirou fundo antes de continuar.
— Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance… — começou.
Não. Não começa assim.
— O Javi não resistiu aos ferimentos — ele disse, com cuidado. — Sinto muito.
O mundo não acabou de forma barulhenta. Ele só… desligou.
Fiquei parado, encarando o médico, tentando entender as palavras como se fossem de outra língua. Minha cabeça parecia vazia, mas ao mesmo tempo pesada demais. Morto. Javi. Não fazia sentido. Ele estava bem ontem. Ele tinha a Luna. Ele não podia simplesmente… não estar mais aqui.
— E a Aurora? — minha voz saiu estranha, distante, como se não fosse minha.
— Ela está viva — respondeu rapidamente. — Mas em estado crítico. Está na UTI agora. As próximas horas são decisivas.
Viva. Crítico.
Assenti devagar, várias vezes, como se aquilo fosse suficiente para manter tudo de pé. Como se concordar mudasse alguma coisa.
— Tá… — murmurei. — Tá bom. Ela é forte. Ela vai sair dessa.
Eu falava calmo demais para alguém que acabara de perder o cunhado. Calmo demais para alguém que sentia o chão sumir sob os pés. Era choque. Tinha que ser. Porque se eu deixasse cair agora, eu não levantava mais.