𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄 ✗ 𝖯𝖺𝖻𝗅𝗈 𝖦𝖺𝗏𝗂 - 20. - Wattpad

𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄 ✗ 𝖯𝖺𝖻𝗅𝗈 𝖦𝖺𝗏𝗂

de admbiah

𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄

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𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄 ✗ 𝖯𝖺𝖻𝗅𝗈 𝖦𝖺𝗏𝗂

Fanfiction

𝗘 𝗦𝗘 seu o sonho de sua infância de fazer faculdade na Espanha conseguisse te trazer um caos completo em sua vida? Jasmin entendia completamente isso. 𝗝𝗔𝗦𝗠𝗜𝗡 𝗩𝗔𝗦𝗖𝗢𝗡𝗖𝗘𝗟𝗟𝗢𝗦, uma jovem no auge dos seus dezenove anos, que tinha um s...

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JASMIN, point of view

Abril, 2025

Eu ainda estava com um pé atrás com tudo o que estava acontecendo. Não tinha recebido ligação do meu pai, e, pelo menos até onde eu percebia, nada parecia estranho. Mas eu não conseguia me sentir segura, e sabia muito bem o porquê.

Conhecia meu pai. Sabia que, quando ele queria alguma coisa, ele não parava até conseguir. Apesar da medida protetiva, não acreditava que isso seria suficiente para impedir alguém que passou quase onze anos na cadeia. Esse tipo de pessoa não respeitava limites.

Estava tentando focar na minha vida e esquecer esse medo constante. Tinha trocado o chip do meu celular, estava concentrada nas aulas da faculdade, e ia à agência umas três vezes por semana por causa do projeto que eu e o Pablo estávamos fazendo juntos. Ele estava sendo muito mais compreensivo. Quase irreconhecível, na verdade. Parecia outra pessoa. E eu não podia negar que estava gostando, era bem melhor lidar com esse novo Pablo do que com o de dois mês atrás.

Berta tinha me arrastado até a casa do Fermín assim que o ensaio fotográfico dela terminou. Segundo ela, hoje à noite a gente ia sair, e não havia espaço para discussão, mesmo que eu não estivesse no clima.

— Berta, você sabe que eu te adoro, né? Mas eu não tô no clima pra sair hoje — falei, tentando argumentar.

— A gente não sai juntas há quase um mês! Agora que temos a oportunidade, tem que aproveitar — ela rebateu com a energia de sempre.

— Mas eu não tô bem…

— Tá sim! Para de inventar desculpa. Você não precisa beber, só dançar um pouco, distrair a cabeça.

— Tenho a opção de dizer "não", né?

— Não — ela disse na hora, com um sorriso travesso.

— Tá bom, Berta… eu vou pra sei lá onde com você.

— Por isso eu te amo, Jazzy! — ela falou praticamente pulando em cima de mim como se eu tivesse dito que ganhei na loteria.

Depois do surto de felicidade, ela me puxou pro quarto e começou a revirar o guarda-roupa em busca de algo que “combinasse comigo”. No fim, ela me emprestou uma das roupas dela e, confesso, com tanto entusiasmo vindo dela, comecei a me animar um pouquinho também.

— Bom… obrigada por me emprestar a roupa — falei, me olhando no espelho.

— Imagina! — disse ela, empolgada. — Você tá linda com essa roupa. Combinou até melhor em você.

— Para, Berta… você vai me deixar com vergonha.

Ela deu uma risadinha e então lançou a bomba.

— Aliás… a festa é na casa do Pablo Torre.

Eu franzi a testa na hora, confusa.

— O Torre? Aquele lá que o Pablo bateu nele?

— Sim… mas eles já se resolveram. Eu acho — completou, meio incerta.

— Berta… — comecei, mas ela já estava pegando a maquiagem como se nada tivesse acontecido.

— Vai dar tudo certo. E se não der, pelo menos você vai estar gata.

Suspirei de novo. Uma parte de mim ainda estava cheia de dúvidas. Mas outra parte, a que queria viver um pouco sem tanto peso, estava curiosa sobre o que a noite podia trazer.

Enquanto eu tentava ajeitar o cabelo, Berta apareceu do nada com uma caixinha transparente cheia de acessórios.

— Espera aí, falta um toque final — disse, já pegando algumas pulseiras e um bracelete dourado.

Ela começou a colocar as peças delicadamente no meu braço, ajustando conforme o caimento da manga longa do vestido. Quando puxou levemente o tecido pra cima, seus olhos pararam nas cicatrizes que ainda estavam um pouco visíveis, mesmo já mais claras.

O silêncio que se seguiu foi instantâneo.

— Jazzy… — a voz dela saiu baixa, quase um sussurro. — Isso é recente?

Senti meu estômago revirar na hora. Desviei o olhar, como se isso fosse me proteger de algo.

— É de um dia que… meu pai ligou — murmurei. — Não aconteceu nada, ele só ligou. Mas foi o suficiente pra mexer comigo.

Berta se sentou ao meu lado sem dizer nada, mas segurou minha mão com força, como se aquilo dissesse tudo.

— Por que você não me contou? — ela perguntou, visivelmente abalada. — Eu tô aqui pra você, sempre estive.

— Eu sei, Berta… só que às vezes eu nem sei como começar. É uma longa história, e eu já me sinto um peso pra tanta gente...

Ela apertou minha mão de novo, mais forte.

— Você nunca vai ser um peso, Jasmin. E eu não quero que você carregue isso sozinha, entendeu?