𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄 ✗ 𝖯𝖺𝖻𝗅𝗈 𝖦𝖺𝗏𝗂 - 73. - Wattpad

𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄 ✗ 𝖯𝖺𝖻𝗅𝗈 𝖦𝖺𝗏𝗂

de admbiah

𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄

𝗘 𝗦𝗘 seu o sonho de sua infância de fazer faculdade na Espanha conseguisse te trazer um caos completo em sua vida? Jasmin entendia completamente isso. 𝗝𝗔𝗦𝗠𝗜𝗡 𝗩𝗔𝗦𝗖𝗢𝗡𝗖𝗘𝗟𝗟𝗢𝗦, uma jovem no auge dos seus dezenove anos, que tinha um sonho em mente há anos: fazer faculdade na Espanha.


JASMIN, point of view

Janeiro, 2025

Alguns meses já tinham se passado. Não tinha sido fácil se estabilizar e me acostumar com aquela vida nova; eu não esperava assumir uma responsabilidade tão grande tão cedo. Mas, por sempre ter amado a Luna e por ter prometido à Aurora que cuidaria dela, ao longo daqueles dois últimos meses tudo começou a ficar um pouco mais fácil.

Luna já não perguntava tanto sobre a Aurora e o Javi, mas eu e o Pablo sempre tentávamos manter algo deles presente, uma história antes de dormir, uma foto, uma lembrança solta durante o dia. Ela ainda tinha só quatro anos, e não queríamos que crescesse achando que eles tinham sido apagados da própria vida.

Pablo, por outro lado, estava melhor. Não completamente, talvez nunca ficasse, mas definitivamente diferente de quando tudo tinha acontecido. Se pudéssemos, outubro de 2025 seria apagado da nossa história sem pensar duas vezes. Eu também tinha decidido dar uma pausa na minha carreira. Precisava de tempo. Para mim. Para nós. E, acima de tudo, precisava me cuidar, eu estava grávida de três meses.

Grávida.

Eu ainda me arrepiava só de pensar. Descobri uma semana atrás, e as únicas que sabiam eram a Berta… e a Luna, que acabou ouvindo sem querer e ficou radiante por ganhar um “priminho”. Para minha surpresa, ela estava guardando o segredo melhor do que muita gente adulta.

Eu ainda não tinha contado ao Pablo. Ele estava em uma sequência intensa de viagens com o time, jogos fora, pouco tempo em casa. Mas eu tinha prometido à Luna que contaria depois da apresentação da escola dela. Só torcia para que ele conseguisse chegar a tempo.

Respirei fundo, puxando o agasalho e fechando-o um pouco mais. Barcelona estava definitivamente mais fria nos últimos dias.

— Eu acho que vou começar a planejar os presentes que vou dar pro meu afilhado ou afilhada — Berta disse, animada.

Sorri enquanto atravessávamos o portão da escola.

— Acho que você tá muito empolgada — comentei.

— Claro que eu tô. Minha melhor amiga tá grávida! Você tem noção de que você tá grávida, Jaz? — ela falou, quase em choque de novo.

— Tenho… só preciso de um tempo pra processar — respondi. — Acho que o Pablo vai ter um infarto quando eu contar.

— Ah, com toda certeza. A cara dele é desmaiar primeiro e depois repetir umas cem vezes “eu vou ser pai”.

— É… você tem razão — falei, rindo baixo. — E definitivamente o nome não vai ser ele que vai escolher.

— Por favor, não deixa. Ele vai inventar um nome completamente aleatório, é a cara do Pablo — ela respondeu.

Fomos até as primeiras fileiras e nos sentamos. Alguns segundos depois, um Lamine completamente ofegante apareceu, como se tivesse corrido uma maratona.

— Não tô atrasado pra apresentação da Luninha, né? — perguntou.

— Não, Lala, chegou bem na hora — falei. Ele se sentou ao lado da Berta.

— Acho que nunca corri tanto na minha vida — comentou.

— Mas valeu o esforço — Berta disse. — É a nossa menina que vai se apresentar.

— Concordo. Pela Luna, sempre vale — completei.

Ele assentiu, sorrindo, e então franziu a testa.

— Aliás… por que vocês estavam falando de não deixar o Pablo escolher nome?

Troquei um olhar rápido com a Berta antes de sorrir.

— Porque eu tô grávida — falei, simples.

Lamine ficou me encarando por alguns segundos, sério demais. Por um momento, achei que ele tinha travado. Até que um sorriso enorme se abriu no rosto dele.

— Caramba, é sério?! — perguntou. Assenti. — Jazzy, parabéns… não acredito que o Pablo vai ser pai em dose dupla.

— Eu também mal posso esperar pra contar — respondi, sentindo o coração acelerar só de imaginar.

— Pera… então eu descobri antes dele? — ele perguntou, arregalando os olhos.

— Descobriu. E se você abrir essa boca, eu costuro — Berta avisou, sem sorrir.

— Tá, tá, prometo. Segredo absoluto — ele levantou as mãos. — Palavra de honra.

As luzes do teatro começaram a diminuir, e o burburinho aos poucos se transformou em silêncio. Meu coração apertou no peito quando as crianças começaram a se alinhar atrás do palco.

Procurei Luna com os olhos, sentindo a mão pousar instintivamente sobre a minha barriga.

Senti alguém sentar ao meu lado.

— Princesa, desculpa, mas o Fermín acabou tendo um problema e isso atrasou a gente — Pablo cochichou.

Sorri.

— Tudo bem, o importante é que você chegou a tempo — falei. — Ele tá bem?

— Tá sim, só perdeu as chaves do carro no ônibus — ele respondeu, revirando os olhos.

Assenti, e ele sorriu, depositando um beijo rápido em mim.

— Te amo — ele murmurou.

— Também te amo, Martín — respondi, baixinho.