𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄 ✗ 𝖯𝖺𝖻𝗅𝗈 𝖦𝖺𝗏𝗂 - 61. - Wattpad

𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄 ✗ 𝖯𝖺𝖻𝗅𝗈 𝖦𝖺𝗏𝗂

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𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄

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𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄 ✗ 𝖯𝖺𝖻𝗅𝗈 𝖦𝖺𝗏𝗂

Fanfiction

𝗘 𝗦𝗘 seu o sonho de sua infância de fazer faculdade na Espanha conseguisse te trazer um caos completo em sua vida? Jasmin entendia completamente isso. 𝗝𝗔𝗦𝗠𝗜𝗡 𝗩𝗔𝗦𝗖𝗢𝗡𝗖𝗘𝗟𝗟𝗢𝗦, uma jovem no auge dos seus dezenove anos, que tinha um sonho em mente há anos: fazer faculdade na Espanha...

PABLO, point of view Agosto, 2025

Se era uma boa ideia, eu também não sabia dizer. Mas pelo menos eu não podia negar que o Fermín tinha boas ideias às vezes. Como essa. A gente teria o fim de semana de descanso e só voltaria a treinar na segunda, já que o próximo jogo era só dali a uma semana.

Foi o Fermín quem teve a ideia de irmos para Cádiz. Na real, no começo eu até discordei um pouco, mas ficou meio impossível quando o Lamine resolveu se autoconvidar pra viagem. Contra dois, não dava pra ganhar.

O meu verdadeiro desafio foi convencer a Jasmin. Ela usou as mil e uma desculpas possíveis, estudo, provas, matérias acumuladas, mas nada que eu não conseguisse resolver no fim. 1

— Você sabe que eu vou passar parte do tempo estudando aqui, né? — ela avisou.

— Isso é o que você acha — respondi. — A gente veio pra se divertir.

Ela parou de mexer no cabelo e me olhou, séria… ou fingindo.

— Eu sei, mas me explica como eu vou aprender a matéria, Martín — disse.

— Olha, eu era bom em matemática na escola. Depois eu te ajudo.

— Você…?

— Eu não entendi esse “você”, Jaszy — falei, fingindo ofensa.

Ela riu, balançando a cabeça.

— Você não tem cara de quem fazia conta sem reclamar.

— Ei — disse. — Respeita o aluno exemplar que eu fui.

— Claro, muito exemplar — Jasmin riu, debochada.

Ela voltou a terminar de se arrumar enquanto eu pegava o celular. O Fermín já tinha deixado umas quinze mensagens seguidas, basicamente implorando, pra gente descer logo. Vi tudo, mas resolvi ignorar por puro prazer.

As batidas na porta me fizeram levantar enquanto a Jasmin ainda mexia no cabelo. Fui abrir esperando o Fermín, mas era o Lamine, que simplesmente entrou sem nem dar oi.

— Que educação, hein, Lamine — falei, fechando a porta atrás dele.

— Ah, pra quê isso? Eu já sou da família — respondeu, largando-se na cadeira. — Esqueceram que vocês me adotaram como filho?

— Adotaram não — retruquei. — Foi erro administrativo.

— Ingrato — ele fez drama. — Te chamo de pai, te respeito… e é assim que você fala comigo?

— Filho adotivo que não tem educação perde a mesada — ela avisou.

— Então explica por que eu nunca recebi mesada nenhuma — Lamine respondeu, indignado. — Só cobrança emocional.

— Isso é porque você dá trabalho demais — falei.

— Tudo eu também — Lamine deu de ombros. — Mas, enfim, eu vim aqui pela fofoca. Você e o Pedro já voltaram a ser amigos?

Franzi o cenho na hora.

— Não. Você esqueceu que a gente nem tá se falando — respondi.

— Você não contou pra ele? — Lamine perguntou, virando-se direto pra Jasmin.

Eu acompanhei o movimento, olhando pra ela.

— Não, seu fofoqueiro, eu não contei — Jasmin respondeu, cruzando os braços.

— Não me contou o quê? — perguntei, já desconfiado.

Lamine abriu um sorriso lento, claramente satisfeito por estar no centro da confusão.

— Que ela foi atrás do Pedro — soltou, como quem comenta a previsão do tempo.

— Lamine — Jasmin reclamou, jogando uma almofada nele. — Era pra você não contar assim.

Olhei pra ela, surpreso.

— Você falou com ele? — perguntei, mais baixo.

Ela assentiu de leve.

— Falei. Não pra criar pressão, nem pra forçar nada. Só pra tentar esclarecer as coisas… porque eu sei o quanto essa amizade importa pra você.

Fiquei em silêncio por um instante, processando.

— E? — perguntei.

— Ele disse que vai pensar — ela respondeu. — Não prometeu nada, mas também não fechou a porta.

Lamine bateu palmas baixinho.

— Eu sabia. Progresso. Pequeno, mas progresso — Lamine concluiu, satisfeito.

Respirei fundo, passando a mão pela nuca. Aquilo ainda mexia comigo mais do que eu queria admitir. Pedro sempre tinha sido mais que um amigo. Era irmão. E aceitar que a gente não era mais o que foi… ainda era estranho, quase como perder alguém que ainda estava vivo.

— Enfim — falei, quebrando o clima antes que meus pensamentos fossem longe demais. — Vamos descer logo antes que o Fermín suba aqui e dê o sermão dele.

Lamine riu na hora.

— Tarde demais, ele já deve estar surtando.

Jasmin se aproximou de mim, tocando de leve meu braço, como se entendesse exatamente o que passava na minha cabeça. Eu dei um meio sorriso pra ela, tentando mostrar que estava tudo bem, mesmo sabendo que ainda não estava.