𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄 ✗ 𝖯𝖺𝖻𝗅𝗈 𝖦𝖺𝗏𝗂 - 38. - Wattpad
𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄 ✗ 𝖯𝖺𝖻𝗅𝗈 𝖦𝖺𝗏𝗂
de admbiah
𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄
𝗘 𝗦𝗘 seu o sonho de sua infância de fazer faculdade na Espanha conseguisse te trazer um caos completo em sua vida? Jasmin entendia completamente isso. 𝗝𝗔𝗦𝗠𝗜𝗡 𝗩𝗔𝗦𝗖𝗢𝗡𝗖𝗘𝗟𝗟𝗢𝗦, uma jovem no auge dos seus dezenove anos, que tinha um sonho em mente há anos: fazer faculdade na Espanha...
PABLO, point of view
Maio, 2025
A luz forte fez meus olhos piscarem algumas vezes, até se acostumarem com o branco que dominava o quarto. A claridade parecia cortar meus pensamentos, e uma dor latejante tomou conta da minha cabeça. Levei a mão até ela, sentindo a faixa firme ao redor. Olhei em volta, confuso, o cheiro de desinfetante, o som ritmado dos aparelhos, o lençol branco... hospital?
Meu peito se apertou. O que eu estava fazendo ali?
Virei o rosto, tentando entender, e meus olhos pararam em uma figura sentada perto da janela. O celular iluminava o rosto dela, e por um instante, pensei estar sonhando. Jasmin.
— Jasmin — chamei, com a voz rouca.
Ela levantou o olhar num sobressalto. Por alguns segundos, ficou me observando, como se não acreditasse. Depois se levantou rapidamente e veio até mim, um sorriso emocionado surgindo em seu rosto.
— Pablo… você acordou. — A voz dela tremia um pouco. — Eu achei que demoraria mais. Você dorme demais, sabia? — tentou brincar, com os olhos marejados. — E me deu um susto enorme.
Ela se inclinou, aproximando-se para me beijar, e instintivamente, desviei o rosto.
O silêncio que se formou foi pesado. Ela piscou algumas vezes, confusa.
— Jasmin… o que você tá fazendo? — perguntei, com a testa franzida. — Eu… tenho namorada.
Ela ficou imóvel, os olhos arregalados.
— O quê? — sussurrou. — Como é que é?
— A Melinda — respondi, com naturalidade, como se fosse óbvio. — Ela é minha namorada.
Por um instante, Jasmin pareceu perder o ar.
— Pablo… você tá brincando, né? — a voz dela saiu trêmula. — Isso não tem graça.
Arqueei uma sobrancelha, confuso com a reação dela.
— Brincando? Por que eu faria isso? E… sinceramente, eu nem entendo o que você tá fazendo aqui. Você nunca gostou de mim, lembra? — retruquei, tentando me ajeitar na cama, mas a dor na cabeça me fez gemer baixo.
Ela deu um passo para trás, completamente sem acreditar. As lágrimas começaram a se formar em seus olhos.
— Pablo… — ela tentou dizer, mas a voz falhou.
Eu a olhei, sem entender.
— Da gente? — repeti, confuso. — O que tem pra lembrar, Jasmin? A gente nunca teve nada.
O olhar dela se quebrou. O ar pareceu sumir do quarto.
A porta se abriu de repente, e Berta e Fermín entraram apressados. O alívio no rosto deles era visível, mas algo na tensão no ar os fez parar por um segundo.
Fermín veio até mim, um sorriso hesitante nos lábios.
— Irmão, que susto você deu na gente — disse, pousando a mão no meu ombro com cuidado, como se eu fosse de vidro.
— É… — murmurei, tentando acompanhar. — Mas o que aconteceu, afinal?
Fermín trocou um olhar rápido com Berta, e eu percebi o jeito dela se aproximar de Jasmin, que ainda estava parada, completamente sem reação.
— Você não se lembra de nada? — perguntou Fermín, a expressão ficando mais séria.
Balancei a cabeça devagar.
— Não… só lembro que tava saindo de casa pra ir ver a Melinda, e depois… — franzi o cenho, a dor na cabeça aumentando. — Tá tudo confuso.
Berta virou o rosto na hora, mordendo o lábio inferior para não deixar escapar o que sentia.
— Pablo… — Fermín começou com cuidado. — Você sofreu um acidente de carro. Foi bem feio. Você ficou inconsciente por quase dois dias.
— Dois dias? — repeti, sem acreditar.
Ele assentiu.
— Sim. Mas o importante é que você tá aqui, acordado.
— E… — olhei em volta, ainda tentando entender. — Ela… — apontei discretamente para Jasmin — tava aqui esse tempo todo?
Berta segurou a respiração. Jasmin abaixou o olhar, sem conseguir responder.
— Sim — disse Fermín, firme. — Ela não saiu do hospital desde o primeiro dia.
Desviei o olhar, sem entender por que todos agiam como se aquilo tivesse um peso maior do que parecia.
— Bom… agradeço — murmurei, meio sem jeito. — Mas ainda não entendo o porquê de tanto drama. Eu tô bem.
Jasmin finalmente ergueu o olhar, os olhos marejados.
— Você não faz ideia… — ela sussurrou, com a voz embargada.
Antes que eu pudesse responder, o médico entrou no quarto.
— Que bom vê-lo acordado, senhor Martín — disse o doutor, com um sorriso profissional. — Mas precisamos conversar sobre alguns sintomas. O impacto na cabeça causou uma leve amnésia retrógrada. Nada permanente, esperamos. Mas pode haver lapsos de memória. Especialmente relacionados a eventos recentes.
O silêncio tomou conta do quarto.
— Então… ele não lembra dos últimos meses? — Berta perguntou, com a voz baixa.