𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄 ✗ 𝖯𝖺𝖻𝗅𝗈 𝖦𝖺𝗏𝗂 - 53. - Wattpad

𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄 ✗ 𝖯𝖺𝖻𝗅𝗈 𝖦𝖺𝗏𝗂

de admbiah

𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄

PABLO, point of view

Agosto, 2025

Era uma péssima ideia. Claro que era. E, ainda assim, ali estava eu. Meus olhos percorreram a parte de fora da casa do Fermín, iluminada demais, barulhenta demais para alguém que só queria dar meia-volta e desaparecer. O arrependimento bateu antes mesmo de eu entrar. Eu sabia que não devia ter vindo. Não tinha motivo algum. Nenhuma garantia. Nada. Eu devia ter me escutado. Não o Balde.

Senti o braço dele passar pelo meu ombro, já me puxando em direção à entrada.

— Cara, é uma péssima ideia eu ter vindo — murmurei.

— Que nada, Pablo — ele rebateu, animado demais pro meu gosto. — É uma ótima ideia. Reconciliações começam assim.

Soltei um suspiro pesado. Por mais que eu quisesse acreditar nisso, eu sabia que não era simples. Não quando ela nem sequer confiava em mim. Não depois de tudo.

— Não é — falei, baixo. — Ela tá com o Charles.

O Balde parou antes de entrarmos. Virou-se pra mim e segurou meus ombros com firmeza, me obrigando a encará-lo.

— Desde quando você desiste assim? — disse sério. — Irmão… ela é a mulher que você ama.

Aquilo me atingiu em cheio. Porque era verdade. Sempre foi.

Engoli em seco, sentindo o nó se formar na garganta.

— E daí? — respondi, a voz mais fraca do que eu gostaria. — Amor não apaga erro. Eu virei uma página virada na vida dela.

Ele me encarou por alguns segundos, como se estivesse escolhendo bem as palavras.

— Ou talvez você só esteja com medo de descobrir que ainda não virou.

Fechei os olhos por um instante.

Ouvi o barulho da porta se abrindo e, logo em seguida, a imagem da Berta apareceu. Ela me encarou, piscou algumas vezes, como se estivesse confirmando se era real mesmo… até sorrir.

— Pablo… eu não acredito que o Balde fez você mudar de ideia — ela disse, surpresa e claramente satisfeita.

— Eu disse que conseguia, loira — o Balde respondeu, todo orgulhoso, fazendo um toque rápido com ela antes de entrar de vez.

Franzi o cenho e entrei logo atrás, olhando ao redor. Não era nada grande, só os mais próximos, um clima simples, íntimo. Ainda assim, meu estômago revirou. Cada rosto conhecido me lembrava exatamente por que eu tinha hesitado tanto em vir.

— Isso foi combinado? — perguntei, baixo, encarando a Berta.

— O quê? O Balde te convencer? — ela arqueou a sobrancelha. — Não. Por incrível que pareça, não foi.

— Certo… olha, eu vou ficar na minha. De preferência, nem fala que eu apareci pra ela. Não quero estragar o dia dela — falei.

— Pablo, não fala assim. Você não vai estragar nada — ela respondeu, num tom firme, mas cuidadoso.

— Não. Eu acho melhor não — insisti. — Vou evitar encontrar com ela.

Berta suspirou, me analisando por alguns segundos.

— Eu entendo — disse por fim. — Mas olha… não some.

Balancei a cabeça em concordância.

Ela me lançou um último olhar antes de se afastar de vez. Suspirei fundo, girando levemente no próprio eixo. Ótimo. Sozinho numa festa em que, teoricamente, eu deveria ter sido só o ajudante da montagem, não alguém presente de verdade.

Caminhei até a mesa de bebidas, buscando qualquer coisa que me deixasse menos tenso, menos consciente de mim mesmo. Peguei um copo e virei tudo de uma vez, sentindo o líquido descer queimando. Pelo visto, seria isso que me manteria funcional ali dentro.

Virei-me, ficando de frente para a sala onde algumas pessoas conversavam. Forcei um sorriso e acenei de leve para conhecidos. Inútil. Um rosto como o meu não passa despercebido, por mais que eu quisesse. E então aconteceu.

Meus olhos começaram a percorrer o ambiente quase por conta própria. Maldito coração, que parecia guiar meu olhar exatamente para onde não devia.

Ela.

Jasmin estava conversando com o Pedro e o Lamine. E foi impossível não reparar. Ela estava linda. Talvez ainda mais do que antes. O sorriso… o mesmo sorriso de sempre, aberto, fácil, rindo de alguma coisa que o Lamine tinha dito.

Aquilo doeu.

Doeu de um jeito silencioso, profundo, como se alguém tivesse pressionado o peito por dentro. Eu quis, por um segundo idiota, que aquele sorriso fosse pra mim. Mas a realidade veio rápido, cruel e clara: ela não era mais minha.

Soltei um suspiro baixo, quase inaudível, sem conseguir tirar os olhos dela. Notei o detalhe que me pegou desprevenido, o cabelo. Antes batia no meio das costas. Agora estava um pouco abaixo dos ombros. Diferente. Como se aquele pequeno corte simbolizasse tudo o que tinha mudado.

Engoli em seco.

Ficar ali, olhando de longe, doía mais do que qualquer soco que eu já tivesse levado. Mas, ainda assim, eu não me mexi. Não porque tinha esperança…

Mas porque, mesmo machucando, ver ela bem era a única coisa que eu ainda me permitia.

Meus olhos continuaram presos nela, quase como se o resto da sala tivesse desaparecido. Cada gesto, cada riso, cada vez que ela passava a mão pelo cabelo, tudo parecia gravar mais fundo a noção de que o tempo não tinha parado para ninguém. Muito menos para ela.