𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄 ✗ 𝖯𝖺𝖻𝗅𝗈 𝖦𝖺𝗏𝗂 - 48. - Wattpad
𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄 ✗ 𝖯𝖺𝖻𝗅𝗈 𝖦𝖺𝗏𝗂
de admbiah
𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄
𝗘 𝗦𝗘 seu o sonho de sua infância de fazer faculdade na Espanha conseguisse te trazer um caos completo em sua vida? Jasmin entendia completamente isso.
𝗝𝗔𝗦𝗠𝗜𝗡 𝗩𝗔𝗦𝗖𝗢𝗡𝗖𝗘𝗟𝗟𝗢𝗦, uma jovem no auge dos seus dezenove anos, que tinha um sonho em mente há anos: fazer faculdade na Espanha...
PABLO, point of view Junho, 2025
As fotos que saíram no site de fofoca eram exatamente isso: fofoca. Um recorte torto de um momento mal interpretado, transformado em verdade absoluta. Às vezes, uma imagem valia mais do que mil palavras, mesmo quando mentia.
Eu ainda tentava processar tudo o que tinha acontecido. Como aquela foto tinha vazado. Como tudo tinha saído do controle tão rápido. E, principalmente, como eu não deveria ter ido àquela festa tão cedo, quando o término ainda não tinha nem uma semana direito. Mas eu não fui pra provocar ninguém. Fui porque precisava de barulho pra não pensar.
Pedro não falava mais comigo. Tinha me bloqueado em tudo, sem exceção. A Jasmin… bom, ela fez o mesmo. Berta e Fermín estavam claramente chateados comigo, as mensagens ficaram no vácuo, o silêncio dizendo mais do que qualquer bronca.
E, no fim, todo mundo me tratava como o único culpado.
Passei a mão pelo rosto, cansado, encarando o teto do quarto escuro. Eu tinha me trancado no quarto o dia todo.
Escutei batidas na porta e fechei os olhos.
— Eu não quero ver ninguém — disse, a voz rouca.
A porta se abriu mesmo assim.
— Você sabe que eu não ligo pra sua opinião, né? — Aurora falou, já entrando.
Suspirei, virando o rosto na direção dela.
— Óbvio que tinha que ser você.
Ela encostou a porta com o pé e cruzou os braços, me analisando em silêncio por alguns segundos.
— Você quer conversar? — perguntou, finalmente, num tom mais calmo.
— Pra quê? — murmurei. — Ninguém vai acreditar em mim mesmo.
— Eu não sou “ninguém” — ela rebateu de imediato. — Eu sou sua irmã.
Passei a mão pelos cabelos, frustrado.
— Esse é o problema. Eu não fiz nada — falei, a voz cansada. — Eu fui pra aquela festa porque… sei lá, eu só queria beber e esquecer que eu não tenho mais a mulher que eu amo do meu lado. Eu nem sabia que a Catharina ia estar lá. Achei que o Pedro estivesse com ela.
Passei a mão pelo rosto, sentindo o nó na garganta.
— A Catharina sempre foi como uma amiga pra mim. Eu nunca imaginei que ela fosse fazer aquilo. Ela me beijou, alguém tirou a foto… e pronto. Eu não retribuí, Aurora. Eu me afastei na hora. Mas quem vai acreditar nisso agora? — ri sem humor. — Uma foto sempre fala mais alto que a verdade.
Aurora ficou em silêncio por alguns segundos, assimilando tudo. Depois, apoiou o cotovelo na perna e me olhou com atenção.
— Eu acredito em você — disse, enfim.
Levantei o olhar, para ela.
— Acredito porque eu te conheço. E porque, quando você mente, fica defensivo. Agora você só parece… quebrado.
— Eu perdi todo mundo de uma vez — murmurei. — O Pedro não fala comigo. A Jasmin me odeia. A Berta e o Fermín nem respondem minhas mensagens. Parece que eu virei o vilão da história sem nem ter chance de me explicar.
Aurora suspirou, escolhendo as palavras com cuidado.
— Eu sei que agora parece impossível, mas a verdade sempre encontra um caminho — disse ela, com a voz mais suave. — Quando eles estiverem mais calmos, vão querer entender. Tá tudo muito recente. Você passou por mudanças rápidas demais, Pablo. Ninguém processa isso direito de uma hora pra outra.
Balancei a cabeça, sentindo o peso da culpa apertar o peito.
— Eu sei… — falei, baixo. — Mas mesmo assim, eu devia ter sido diferente com a Jasmin. Eu devia ter tido mais sensibilidade. Ela tava assustada, pressionada, vivendo um monte de coisa ao mesmo tempo… e eu só consegui enxergar o meu medo de perdê-la. Eu falei coisas que machucaram. Coisas que eu não conseguiria ouvir se fosse comigo.
A voz falhou no final, e eu parei por um instante.
— Eu ajudei a empurrar ela pra longe — completei, quase num sussurro.
Aurora não disse nada de imediato. Apenas me puxou para um abraço firme, daqueles que não pedem permissão.
— Errar não te transforma num monstro — disse ela, perto do meu ouvido. — Te transforma em humano. O importante é você reconhecer isso, e você reconhece. Nem todo mundo consegue.