𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄 ✗ 𝖯𝖺𝖻𝗅𝗈 𝖦𝖺𝗏𝗂 - 66. - Wattpad
𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄 ✗ 𝖯𝖺𝖻𝗅𝗈 𝖦𝖺𝗏𝗂
de admbiah
𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄
𝗘 𝗦𝗘 seu o sonho de sua infância de fazer faculdade na Espanha conseguisse te trazer um caos completo em sua vida? Jasmin entendia completamente isso.
𝗝𝗔𝗦𝗠𝗜𝗡 𝗩𝗔𝗦𝗖𝗢𝗡𝗖𝗘𝗟𝗟𝗢𝗦, uma jovem no auge dos seus dezenove anos, que tinha um sonho em mente há anos: fazer faculdade na Espanha...
PABLO, point of view
Outubro, 2025
Hoje definitivamente seria um dia e tanto. Fermín ia pedir a Berta em noivado e, até aí, tudo bem. O problema era que, depois da bolada que ele levou na cabeça durante o treino, parecia que tinha ficado ainda mais nervoso, a ponto de quase infartar do meu lado. Lamine se jogou no sofá, enquanto eu encarava Fermín, que andava de um lado para o outro, inquieto.
— Eu acho que eu vou morrer — disse Fermín, passando a mão pelo cabelo.
— Deus me livre — Lamine bateu na mesinha de madeira ao lado. — Se você morrer, vai deixar a Berta pra outro.
Revirei os olhos e dei um tapa leve na nuca do Lamine.
— Fica quieto, garoto. Nem relacionamento duradouro você tem pra opinar — falei.
Fermín parou de andar e me olhou, aflito.
— E se a Berta não aceitar? E se ela não quiser o mesmo que eu? — perguntou, a voz carregada de insegurança.
Suspirei, me aproximei e coloquei a mão no ombro dele.
— Se quer ficar calmo, para de andar de um lado pro outro — pedi. — Vai dar tudo certo. É só seguir o seu coração.
— O meu coração tá acelerado demais, não tem como ele me ajudar muito — ele respondeu.
Meu Deus. Quando eu acho que não existe ninguém mais lerdo e sem noção que o Lamine, eu lembro que o Fermín consegue ser pior nessas horas. Sempre foi assim: quando caía a ficha de algo realmente importante, ele ficava completamente nervoso. Eu já estava acostumado com isso desde criança.
— Cara, a Berta te ama. Ela vai aceitar — falei, firme.
— Eu não teria tanta certeza — Lamine comentou.
Olhei sério pra ele.
— Tá bom, tá bom, vou ficar quieto — ele se rendeu, levantando as mãos.
Fermín suspirou, coçando a nuca.
— Se der tudo errado, eu culpo vocês dois.
— Se der tudo certo, você agradece também — Lamine completou.
— Pensa que já deu tudo certo — falei, tentando soar confiante.
Lamine fez uma careta, cruzando os braços.
— Eu não consigo imaginar o Fermín casado. Pra mim, ele ia envelhecer sozinho, com uma coleção de plantas e reclamando do barulho dos vizinhos.
— Engraçado — respondi, seco. — Porque eu imagino você exatamente assim.
Fermín soltou uma risada nervosa, finalmente parando de andar de um lado pro outro.
— Vocês são péssimos pra dar apoio emocional — ele disse, balançando a cabeça.
— A gente tá tentando à nossa maneira — Lamine respondeu, dando de ombros. — Se não zoar, não é amizade.
— Além do mais — acrescentei — Se tem alguém que nasceu pra casar aqui, é você. Sempre foi o mais certinho, o mais cuidadoso… só faltava perceber isso.
Fermín respirou fundo mais uma vez, passando a mão no rosto.
— Eu só quero que seja especial pra ela — confessou. — Que ela sinta o quanto eu amo ela.
— Ela vai sentir — garanti. — A Berta te conhece. E ama você exatamente desse jeito: meio nervoso, meio perdido, mas completamente sincero.
— Ih, ativou o modo Pablo sincerão — Lamine disse, rindo. — Tô querendo uns conselhos também.
— Não. Pra você tá fechado — respondi sem hesitar. — Agora foco, Lamine.
Olhei de novo pro Fermín.
— Tá com tudo planejado já, né?
— Tá — ele confirmou, coçando a nuca. — Eu sou lerdo às vezes, mas nem tanto.
— Só meio que noventa e nove por cento, né, Fermín? — Lamine provocou.
— Cala a boca, Lamine — eu e o Fermín dissemos juntos.
— Nossa — ele levou a mão ao peito, dramático, voltando pro lugar no sofá. — Me senti agredido verbalmente. Não falo mais nada.
— Melhor assim — falei. — O mundo agradece. E a gente principalmente.