𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄 ✗ 𝖯𝖺𝖻𝗅𝗈 𝖦𝖺𝗏𝗂 - 30. - Wattpad
𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄 ✗ 𝖯𝖺𝖻𝗅𝗈 𝖦𝖺𝗏𝗂
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𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄 ✗ 𝖯𝖺𝖻𝗅𝗈 𝖦𝖺𝗏𝗂
E SE seu o sonho de sua infância de fazer faculdade na Espanha conseguisse te trazer um caos completo em sua vida? Jasmin entendia completamente isso.
JASMIN VASCONCELLOS, uma jovem no auge dos seus dezenove anos, que tinha um s...
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JASMIN, point of view Abril, 2025
A festa da Berta estava um verdadeiro luxo. Cada detalhe parecia ter sido escolhido a dedo, do som à decoração impecável. Era o tipo de evento que parecia brilhar por si só. Mas, sinceramente, eu não conhecia a maioria das pessoas ali. Não era o meu ambiente favorito, e se eu conhecesse dez pessoas naquela festa já era muito.
— Sabia que a Lilith veio? — Berta comentou, dando um gole no drink.
Meu olhar, que antes estava perdido pelo salão, voltou para elas.
— Lilith? — perguntei, confusa.
— Sim, a prima do Pablo Torre. Sabe quem é, né? — Catharina completou.
— Sei, claro. Eu ajudei ela outro dia na festa do Torre, e somos colegas de sala na faculdade — falei, ainda sem entender onde queriam chegar.
— Uhum… entendi — Berta disse, arqueando as sobrancelhas. — Só… abre o olho, viu?
— Por quê? —
— Ah, Berta fala demais, Jas — Catharina tentou cortar.
Mas Berta revirou os olhos, impaciente.
— Não falo demais. E vou contar, Cat. Prefiro ela sabendo pela gente do que sendo pega de surpresa e virando confusão.
— Berta… — Catharina suspirou, mas já era tarde.
— O Pablo e a Lilith já namoraram — Berta soltou de uma vez.
Eu pisquei algumas vezes, tentando processar.
— Como assim?
— Amigos de infância, cresceram juntos. E uns dois anos atrás eles tiveram um namoro — Catharina explicou, mais calma.
— Caramba… eu não sabia disso. — Meu tom saiu mais baixo, quase para mim mesma.
— Só cuidado, ser amiga da ex do seu “ficante supremo” não costuma dar certo — Berta brincou, mas havia seriedade por trás.
— Ele não é meu namorado, Berta, mas… tá bom, vou ficar esperta — falei, mas por dentro minha cabeça já estava em mil lugares.
Eu sabia que minha curiosidade não ia me deixar em paz até entender essa história direito. Queria ouvir dele, sem rodeios.
Olhei o salão de novo, procurando por Pablo. Nada.
— Vou procurar ele. Faz tempo que não o vejo — avisei.
— Vai lá — Catharina assentiu, e Berta apenas levantou a taça.
Comecei a andar pelo salão, observando tudo com atenção. Conhecia bem Pablo, e ele com os meninos às vezes rendia surpresas, nem sempre boas.
Quando encontrei Balde, ele estava com Pablo, e alguma coisa estava errada. Muito errada. Pablo estava sentado, cabeça baixa, olhos vermelhos, e o copo vazio na mão. Balde tentava falar com ele, mas parecia não ter resposta. Meu coração apertou.
Apressei o passo. Assim que cheguei perto, toquei o rosto dele com as mãos. Ele estava quente e cheirava a álcool.
— Pablo… — chamei, baixinho, tentando que ele levantasse o olhar para mim. — O que aconteceu?
Balde suspirou, balançando a cabeça.
— Não sei, Jazzy. Eu tinha saído pra falar com o Ferran e, quando voltei, ele já tava assim.
Pablo finalmente ergueu o olhar, cansado, e murmurou, rouco:
— Quero ir embora.
Meu coração quase derreteu.
— Tá bom, amor, a gente vai. — Passei o polegar pelo rosto dele, tentando confortá-lo. — Consegue andar?
Ele assentiu, mesmo meio cambaleante. Balde logo se levantou para ajudar, passando um braço por cima do ombro dele.
— Eu ajudo vocês até o carro — disse.
Antes de sairmos, peguei minha bolsa com Catharina e pedi que se desculpassem com Berta por mim. A última coisa que queria era dar explicações agora.
Balde ajudou Pablo a se sentar no carro, colocou o cinto e ainda entregou uma garrafinha de água para ele.
— Qualquer coisa me liga — falou, antes de fechar a porta.
— Tá bom. Obrigada, Balde — agradeci, e dei partida.
O caminho de volta foi silencioso. O único som era o respirar pesado dele. Eu apertava o volante, ansiosa, mas respeitando o espaço dele.
— Quer conversar? — perguntei num sinal vermelho, arriscando um olhar de lado.
— Não… — veio baixo, arrastado.
E assim seguimos até em casa.
Ele parecia um pouco melhor quando chegamos, o suficiente para andar sozinho. Foi direto para o quarto, pegou uma toalha e entrou no banho sem dizer nada. Eu respirei fundo e fui para a cozinha preparar um café bem forte porque a ressaca de Pablo não seria fácil.
Quando voltei, ele estava sentado na varanda do quarto, cotovelos apoiados nos joelhos, mãos entrelaçadas, olhar perdido para o condomínio iluminado. Aquele silêncio doía mais do que qualquer palavra.
Me aproximei devagar e me sentei ao lado dele, sem querer invadir nada, mas sem conseguir ficar longe.
— Fiz pra você — falei, estendendo a xícara.