𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄 ✗ 𝖯𝖺𝖻𝗅𝗈 𝖦𝖺𝗏𝗂 - 71. - Wattpad

𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄 ✗ 𝖯𝖺𝖻𝗅𝗈 𝖦𝖺𝗏𝗂

de admbiah

𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄

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𝐋𝐎𝐕𝐄 𝐆𝐀𝐌𝐄 ✗ 𝖯𝖺𝖻𝗅𝗈 𝖦𝖺𝗏𝗂

𝗘 𝗦𝗘 seu o sonho de sua infância de fazer faculdade na Espanha conseguisse te trazer um caos completo em sua vida? Jasmin entendia completamente isso. 𝗝𝗔𝗦𝗠𝗜𝗡 𝗩𝗔𝗦𝗖𝗢𝗡𝗖𝗘𝗟𝗟𝗢𝗦, uma jovem no auge dos seus dezenove anos, que tinha um sonho em mente há anos: fazer faculdade na Espanha...

JASMIN, point of view

Outubro, 2025

As vozes ao meu redor só reforçavam que tudo era real. Não era um pesadelo. Eu estava em um hospital de novo e, dessa vez, não era só por Aurora. Era por Pablo. E isso tornava tudo ainda mais doloroso.

Berta me abraçava com força, como se quisesse me manter inteira, enquanto Fermín permanecia ao meu lado, segurando minha mão sem soltar em nenhum momento. Eles sabiam que não era hora de discursos. Só de presença. De apoio. Como sempre fizeram.

Olhei para a mãe de Pablo, o rosto tomado por preocupação e exaustão. Agora, além de Aurora, ela tinha Pablo ali também. Dois filhos em um hospital. Não consegui nem imaginar a dor que aquilo devia ser.

E a culpa me esmagava o peito. Se ele não tivesse ido. Se ele não tivesse entrado na minha frente. Se ele não tivesse aparecido lá… Ele estaria bem. Tudo isso era culpa minha. Minha.

Cada minuto sem notícias só tornava esse pensamento mais alto, mais cruel.

— Berta… eu quero ver ele — pedi, a voz fraca, quase suplicante.

Ela me apertou um pouco mais no abraço antes de responder:

— Jas, você precisa esperar. A gente não pode fazer nada agora.

Fermín se inclinou um pouco, falando baixo, como se quisesse me ancorar ali:

Assenti devagar, mesmo sem conseguir acreditar de verdade. Porque sempre diziam isso. Vai ficar tudo bem. E da última vez que eu ouvi aquelas mesmas palavras, eu perdi a minha mãe. O medo apertou meu peito de um jeito quase insuportável. Eu não ia suportar perder ele também.

Fechei os olhos por um instante, tentando controlar a respiração, mas a imagem de Pablo caído no chão voltava sem pedir permissão. O sangue. O olhar dele tentando me acalmar enquanto era ele quem precisava de ajuda.

Fermín segurou minhas mãos com cuidado, firme o suficiente pra me ancorar ali. Olhei pra ele, ainda com a cabeça apoiada no ombro da Berta.

— Irmãzinha, fica calma. A gente tá aqui com você — Fermín falou, a voz baixa, mas segura.

Ouvir irmãzinha doeu de um jeito bom. Eu não sabia que precisava daquilo até aquele instante. Saber que ele realmente me via assim, que eu tinha esse lugar, me deu um fio de chão no meio do caos.

Assenti, apertando a mão dele de volta. Me afastei um pouco do ombro da Berta e encostei no banco frio do corredor, aquele corredor vazio demais, silencioso demais, como se o tempo tivesse parado ali.

— Eu vou lá ver como a mãe do Pablo tá — Berta disse, já se levantando. — Quer que eu traga alguma coisa pra você?

Neguei com a cabeça, sem conseguir levantar o olhar. Meu peito continuava apertado, como se cada respiração fosse um esforço consciente.

O médico parou a poucos metros da gente, o rosto sério. Olhou primeiro para a prancheta e depois para nós dois.

— Vocês são parentes do paciente Pablo Martín Páez Gavira? — perguntou.
— Eu sou a namorada dele — respondi, sentindo o coração bater forte no peito.

O médico suspirou antes de responder, e aquele segundo pareceu eterno. — Por um milagre, sim — disse enfim. — Ele teve muita sorte. A bala não atingiu órgãos vitais e não foi tão profunda quanto poderia ter sido. Conseguimos retirar o projétil e estabilizá-lo. Ele vai se recuperar. Pode ficar tranquila.

Senti minhas pernas fraquejarem no mesmo instante. Apertei a mão de Fermín com força, os olhos ardendo. — Graças a Deus… — murmurei, quase sem voz.